SAMUEL DE LEONARDO (TUTE)
LER É UM DEVER.. ESCREVER, UM PRAZER.
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AH, PÁTRIA! (O fundo do poço)
Não é de hoje que o país está enfermo.                                                                                  
Na verdade ele já nasceu doente.                                                                                                            
De medidas paliativas à medidas paliativas vem agonizando ao longo dos séculos,  
moribundo  em todo o seu esplendor.
Ah, imortal Olavo Bilac, como era bom quando criança
a professorinha de linguagem incansável nos obrigava a declamar o poema “A Pátria”.
Com orgulho o inocente menino empostava a voz e,  
num ritmo só, disparava a recitar acreditando viver num lugar melhor do mundo:

“Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!”

Perdoa-me Príncipe dos poetas brasileiros,
mas não tenho como me ufanar do meu país.

Como amar com orgulho esta terra,
que país é este que vejo, que mata as crianças?
Que céu? que mar!? que rios? que floresta?
a natureza aqui morreu, pouco resta!
Age como a madrasta, de funesto conto de fada,
Atira o filho ao chão, por nada!  
Não ouve do cidadão a fala,
mata a palavra, cala!
Na corda bamba se balança,
derruba  o ser, despenca a esperança.
Discurso vazio, sem ação
Falta saúde, carece a segurança
Aniquila a educação.
Falta tudo, honestidade e cautela
Sobra muito, corrupção, desmando e mazela.
No ar paira o incerto e a dor,
Já não se vê no fim do túnel a luz, só o terror.
Em profusão se mata onde impera
a mão de ferro, tal qual uma megera.
Não premia ordeiros e a quem trabalha,
Mas enaltece e compensa o canalha
Escraviza e explora aquele que calado obedece
Não considera o seu esforço, só tiranos enriquecem.
Como amar, com fé e orgulho, a terra em que nasceste?
Mais vale uma arma no coldre, que um livro na mão.
Meu Deus, que tiro foi esse?

Samuel De Leonardo (Tute)
Enviado por Samuel De Leonardo (Tute) em 18/07/2022
Alterado em 06/09/2022
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